2015'07 Luxemburgo (#29) - Luz de Presença | Oh! Doce Saudade
Luxembourg, Vianden

Luxembourg, Vianden

18 a 21 de Julho de 2015

Memórias

Não foram férias porque quatro dias fora de casa não são férias. Foi um fim-de-semana prolongado, como todos deviam ser, em que se agarra numa mochila e se parte para não muito longe. Sempre que partilhei a ideia de visitar o Luxemburgo torceram-me o nariz. O país está associado à emigração, à diáspora, e a probabilidade de ouvir a língua portuguesa projectava o comentário: "vais viajar para ver portugueses"?

Felizmente, e essa é uma dádiva de qualquer viagem, a realidade surpreende. É preciso ir, pisar o terreno, para se formar opinião. Os relatos na revistas, as crónicas online, o senso comum ou as histórias de amigos são visões pessoais. As partilhas são bem recebidas mas opiniões não se copiam.

Directo ao preconceito no Luxemburgo ouve-se português em quase todas as ruas. É agradável ouvir esta língua viva que transcende a comunicação e se transforma numa identidade. Há bandeiras nas vitrinas das lojas e há café de Portugal (o que além de importante é bom).

Acredito que, uma parte dos portugueses com que me terei cruzado não concebem o que leva um viajante luso ao Luxemburgo. Por duas vezes em que denunciei ser português ("olá", "bom dia") a conversa (com portugueses) continuou em francês ou inglês... A honestidade obriga-me a frisar que nem sempre assim foi: recebi e ofereci vários sorrisos em bom português! Compreendo que o país é um sinónimo de trabalho não de lazer. As férias são na "terra"! Que curiosidade sombria será essa por uma "terra" de trabalho?

O Luxemburgo é um país pequeno e a capital, com o mesmo nome, pequena tinha de ser. A geografia da cidade é incomum: um planalto, um pequeno vale a serpentear com um fio de rio a secar, edifícios sempre baixos mas aglomerados e, afastado do centro, a zona europeia de Kirchberg com as suas torres visíveis ao longe. Note-se que, apesar dos desníveis acentuados as bicicletas aceleram entusiasmadas.


Junto a um painel na Place Guillaume II, Luxembourg

Junto a um painel na Place Guillaume II, Luxembourg

Há duas praças principais na cidade, Place D'armes e Place Guillaume II, que são o epicentro da zona antiga. As ruas pedonais estão apinhadas de turistas mas rapidamente se caminha para outras bandas. A Boulevard F. D. Roosevelt e a Place de la Constitution oferecem uma voyeurista perspectiva sobre o Valée de la Pétrusse, o vale forrado de árvores com casais mais ou menos escondidos, e o desinteressante Quartier Gare, a sul da cidade, para onde segui. Não me demorei mas deliciei-me na galeria subterrânea do Am Tunnel (situada no piso -4 de um banco) com a exposição permanente do fotógrafo Edward Steichen. Os intermináveis corredores com as paredes recheadas de obras criam um ambiente singular.

Desci depois para o Valée de la Pétrusse a caminho das margens do Rio Alzette, deambulei, como se estivesse perdido, pelo antigo e acolhedor bairro Grund. A chuva que no céu ameaçava não incomodou ali em baixo.

Subi para as Bock Casemates escavadas no rochedo. Os túneis e as galerias surgiram com propósitos de defesa no século XVIII e desde então tiveram diversas utilidades e utilizações. Se é verdade que não apreciei o espaço, meras paredes despidas e labirintos mal iluminados, aproveitei a cobertura quando a chuva mostrava finalmente o seu rugido. Já na rua percorri o Chemin de la Corniche, com vistas referenciadas para o Grund em baixo.

Passeei ainda pelo enorme Parque Municipal Edouard André, entrei no parco Musée d'Histoire de la Ville de Luxembourg e rumei à moderna Kirchberg que num dia não útil tem as suas avenidas desertas. Além do The Three Acorns Park, merecem destaque as torres que espelham o céu no final do dia e o edifício da Philharmonie Luxembourg.

Saí da capital e visitei Vianden, nas Ardenas. A escassos 50 quilómetros a pequena cidade cresceu num vale com um castelo no topo facilmente alcançável após uma panorâmica viagem de teleférico.


Nas margens do Rio Our, Viaden

Nas margens do Rio Our, Viaden

O reputado castelo, que atrai inúmeros visitantes, é uma desilusão tremenda: o espaço totalmente reconstruído no final da década de 70 não está cuidado com o requinte que o preço do bilhete sugere. Desci pela colina no regresso à cidade onde o tempo passou despercebido. Entre voltas e voltinhas despedi-me de Vianden.

Antes de embarcar no voo de regresso, parei em silêncio no vizinho e imponente Luxembourg American Cemetery and Memorial. Se na génese da visita não estava uma homenagem premeditada, às mais de 5.000 sepulturas, leva-se à saída um melancólico respeito pelo pesadelo da guerra.

Embarquei no voo de regresso a casa convicto que mais alguns dias me permitiriam visitar o interior verde do país. Contudo caminhei o suficiente para assegurar que o Luxemburgo não é o país oco que se teme ser.


Fotografias

  • Uma escultura na pequena praça @ Roude Pëtz, Luxembourg

  • Uma feira de antiguidades @ Place D'armes, Luxembourg

  • Parte da ampla praça estava tapada para obras @ Place Guillaume II, Luxembourg

  • Ao fundo a Kathedral Notre-Dame @ Place Guillaume II, Luxembourg

  • A Gëlle Fra em homenagem às vítimas da primeira Grande Guerra @ Place de la Constitution, Luxembourg

  • As obras de reabilitação da Pont Adolphe @ Luxembourg

  • Instalação junto à ponte "Passerelle" @ Avenue de la Gare, Luxembourg

  • Um casal de turistas @ Luxembourg

  • O Grund no seu vale @ Luxembourg

  • O vasto parque @ Parque Municipal Edouard André, Luxembourg

  • O caminho junto ao rio @ Grund, Luxembourg

  • "Aviso / Fechar à chave esta porta sempre! Obrigados" @ Grund, Luxembourg

  • O rio e o rochedo com as Bock Casemates @ Grund, Luxembourg

  • As Bock Casemates @ Grund, Luxembourg

  • A Schloss Erbaut Bruecke @ Luxembourg

  • O acesso às Bock Casemates @ Luxembourg

  • Na Schloss Erbaut Bruecke acedido pelas Bock Casemates @ Luxembourg

  • O interior das Bock Casemates @ Luxembourg

  • O Grund @ Chemin de la Corniche, Luxembourg

  • Um monumento à grã-duquesa Charlotte (filha de mãe portuguesa) @ Place Clairefontaine, Luxembourg

  • Na zona europeia a cidade cresce em altura @ Kirchberg, Luxembourg

  • A zona estava deserta de pessoas @ Kirchberg, Luxembourg

  • O Fort Thüngen @ Kirchberg, Luxembourg

  • O céu espelhado num edifício @ Kirchberg, Luxembourg

  • A caminho do rio uma bandeira portuguesa ao fundo @ Vianden

  • A ponte e o rio @ Vianden

  • O teleférico para o topo da colina @ Vianden

  • No topo da colina, o castelo @ Vianden

  • Uma fachada @ Vianden

  • As esplanadas cheias com o bom tempo @ Vianden

  • A cidade e o castelo vistos de um ponto ainda mais alto @ Vianden

  • Um edifício escondido na colina @ Vianden

  • O rio e a pequena cidade @ Vianden

  • Depois do verde, o Musée de la Banque @ Boulevard F. D. Roosevelt, Luxembourg

  • A galeria Am Tunnel @ Luxembourg

  • O espaço é procurado para a prática de exercício físico @ Valée de la Pétrusse, Luxembourg

  • Na entrada do cemitério @ Luxembourg American Cemetery and Memorial, Luxembourg

  • As cruzes ocupam todo o espaço @ Luxembourg American Cemetery and Memorial, Luxembourg

Notas Soltas

Edward Steichen (wikipedia.org)

Steichen was born Éduard Jean Steichen in Bivange, Luxembourg, the son of Jean-Pierre and Marie Kemp Steichen. Marie Steichen brought the infant Edward along once Jean-Pierre had settled in Chicago, in 1881. Steichen was naturalized as a U.S. citizen in 1900 and signed the naturalization papers as Edward J. Steichen; however, he continued to use his birth name of Eduard until after the First World War. Serving in the US Army in World War I (and the US Navy in the Second World War), Steichen commanded significant units contributing to military photography. After World War I, during which he commanded the photographic division of the American Expeditionary Forces, he reverted to straight photography, gradually moving into fashion photography. Steichen's 1928 photo of actress Greta Garbo is recognized as one of the definitive portraits of Garbo. After the war, Steichen served as the Director of Photography at New York's Museum of Modern Art until 1962. Among other accomplishments, Steichen is appreciated for creating The Family of Man, a vast exhibition at the Museum of Modern Art consisting of over 500 photos that depicted life, love and death in 68 countries. As had been Steichen's wish, the exhibition was donated to the Grand Duchy of Luxembourg. It is now permanently housed in the City of Clervaux in northern Luxembourg.


Quotes by Edward Steichen

"Photography is both ridiculously easy and impossibly difficult. Easy, because anyone can master it. Difficult, because in any other medium the artist begins with a blank surface and gradually brings his conception into being. The photographer is the only image maker who begins with the picture completed"

"I said that, if I made a photograph I would stand by it with my name, otherwise I would not make it"


The Family of Man (wikipedia.org)

The Family of Man was an ambitious photography exhibition curated by Edward Steichen, the director of the Museum of Modern Art's (MOMA) Department of Photography. It was first shown in 1955 from January 24 to May 8 at the New York MOMA, then toured the world for eight years, making stops in thirty-seven countries on six continents. More than 9 million people viewed the exhibit. According to Steichen, the exhibition represented the "culmination of his career." In 2003 the Family of Man photographic collection was added to UNESCO's Memory of the World Register in recognition of its historical value. The photographs included in the exhibition focus on the commonalities that bind people and cultures around the world and the exhibition itself served as an expression of humanism in the decade following World War II. The United States Information Agency toured the photographs throughout the world in five different versions for seven years, under the auspices of the The Museum of Modern Art International Program.

Edward Steichen - Sunday Papers, 1922

Edward Steichen - Sunday Papers, 1922

Charly Gaul (wikipedia.org)

Charly Gaul (8 December 1932 - 6 December 2005 in Luxembourg City) was a professional cyclist. He was a national cyclo-cross champion, an accomplished time triallist and superb climber. His ability earned him the nickname of The Angel of the Mountains in the 1958 Tour de France, which he won with four stage victories. He also won the Giro d'Italia in 1956 and 1959. Gaul rode best in cold, wet weather.


Charly Gaul

Charly Gaul

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