2015'06 Egipto (#28) - Luz de Presença | Oh! Doce Saudade
Liveaboard no Mar Vermelho

Liveaboard no Mar Vermelho

17 a 26 de Junho de 2015

Memórias

Voltei ao Mar Vermelho onde ansiava banhar-me desde a última visita em 2010. Nunca me faltou vontade de regressar ao Egipto, o seu porto de embarque mais acessível, mas a coragem fraquejou continuamente. As notícias ocidentais aconselham prudência apesar de no sul do país existir uma tranquilidade aparente. O turismo é, no entanto, uma sombra do que conheci: faltam pessoas nos hotéis e sobram espaços abandonados.

Depois da tardia chegada do avião a Hurghada seguimos, no dia seguinte, de autocarro para a marina de Port Ghalib a cerca de 200 quilómetros. A estrada praticamente deserta atravessou povoações onde as ruas, tradicionalmente caóticas, obedecem a regras de trânsito por decifrar. Algures no percurso reparei num posto de controlo militar que, pelo aparato de soldados e pela dimensão das viaturas de combate, recordou-me que existem questões que a diplomacia ainda não ultrapassou.

Há uma rotina num Liveaboard fácil de assimilar: dormir, comer e mergulhar. Podem irromper pontuais variações na ordem mas as actividades permanecem inalteradas. O ritmo é regulado por um sino que apela à reunião dos presentes na sala de convívio: o cabelo molhado denúncia que será servido farnel; o cabelo seco anuncia um mergulho depois do respectivo briefing.

Cabelo seco e despenteado num remake de uma foto de 2009

Cabelo seco e despenteado num remake de uma foto de 2009

O M/Y Emperor Asmaa não merece, na minha opinião, reclamações mas a habituação ao barco não é instantânea. O espaço é invadido por duas dezenas de almas que procuram ao mesmo tempo acomodar as tralhas (quem mergulha carrega muitas quinquilharias incluindo imenso material eléctrico com baterias sedentas). O ambiente é incansavelmente animado. Os mergulhadores partilham um interesse comum que alimenta conversas: promovem-se os países de origem, discutem-se os mares distantes já mergulhados e as anteriores experiências no Mar Vermelho. Tudo o resto segue as cordiais regras das relações sociais.

Zarpámos da marina na manhã seguinte para o "check dive" da praxe. Face à facilidade do local, uma baía pouco profunda, a presença do guia foi dispensada por quem não o desejou. O "check dive" foi pouco ou nada "checked". É um novo conceito a reter.

O mar calmo permitiu iniciar a rota pelas Brothers Islands, a algumas horas de distância, onde em 4 dias fizemos 11 mergulhos repartidos entre a Big Brother e a Small Brother. Navegámos depois para o recife de Elphinstone onde num dia entrámos 3 vezes na água salgada. A rota incluiu ainda 4 mergulhos junto à costa no regresso a Port Ghalib.

Muito se divaga sobre a vulnerabilidade humana no mar (onde somos lentos e desajeitados). Enquanto o senso comum repete palavras apocalípticas, que alimentam pesadelos com (teoricamente) fatais ataques de tubarões, um mergulhador investe na observação da majestosa “big life”. Um mergulhador madruga na ânsia de encontrar na água ambientes naturais ainda não contaminados pela mão empreendedora do homem. Um mergulhador está também ciente que na dieta de um tubarão não consta carne humana! Acidentes são raros e quando se respeita a envolvente não se sente qualquer vulnerabilidade.


No azul à procura de visitas!

No azul à procura de visitas!

Sem individualizar mergulhos, porque recordo o Liveaboard como um todo, assumo que alguns entram directamente e sem contra-argumentação possível na galeria dos inesquecíveis. Destaco alguma da grande e fausta fauna que nos honrou com a sua visita: Grey Reef Shark, Oceanic Whitetip Shark, Scalloped Hammerhead Shark, Thresher Shark e Manta Ray.

Nunca antes tinha visto Tubarões Martelo! São criaturas lindas, cativantes quase hipnotizantes! Quando um se aproximou curioso houve uma alegria geral difícil de conter. Foram instantes, pouco mais do que segundos, que justificaram as horas de viagem (por ar, terra e mar) desde a ocidental praia lusitana. A natureza é uma saudável fonte de euforia.

Será igualmente impossível esquecer a Manta, da largura de um autocarro, que bailou num vai-e-vem à nossa frente. A doçura dos movimentos colide com a sua enormidade. Nadei na sua direcção e sempre que me aproximei um metro ela afastou-se dez...

A sorte grande permitiu que debaixo do barco, nas paragens de segurança, surgissem Oceanic Whitetip Sharks. Gradualmente as pausas no azul foram prolongadas porque a espera tendia a contemplar os pacientes. A proximidade foi tal que os tubarões nos serpentearam sem vergonha.

Em Marsa Shouna, onde mergulhámos antes de pisar novamente terra firme, procurámos um Dugong sem sucesso mas encontrámos no fundo arenoso as adoráveis Tartarugas Verdes. Não me canso de observar tartarugas.

O neopreno húmido tornou-se um bicho papão depois de mais de 19 horas no seu interior. O desejo de regressar não surgiu por qualquer enjoo ou aborrecimento. A vida no mar é que pede terra. Essa vontade ergue-se mesmo quando tudo corre bem. Aliás, acontece especialmente quando apetece repetir tudo de novo.


Fotografias

  • A estrada é praticamente deserta @ Estrada a caminho de Port Ghalib

  • Muitas das construções estão por terminar @ Estrada a caminho de Port Ghalib

  • O farol da pequena ilha @ Big Brother, Brothers Islands

  • Um "Zodiac" também utilizado no transporte dos mergulhadores @ Big Brother, Brothers Islands

  • Não faltam carregados de mergulhadores @ Big Brother, Brothers Islands

  • A merecida preguiça no Sun Deck @ Big Brother, Brothers Islands

  • A ilha que é um pequeno rochedo @ Small Brother, Brothers Islands

  • Ao longe a Big Brother @ Small Brother, Brothers Islands

  • Bandeiras destruídas pelo tempo @ Small Brother, Brothers Islands

  • A ameaça de correntes fortes não é ignorada @ Small Brother, Brothers Islands

  • O recife totalmente submerso @ Elphinstone

  • Bastantes Liveaboards partem deste porto @ Port Ghalib

  • Um ambicioso oásis no deserto (longe de concluído) @ Port Ghalib

  • O desinteressante deserto! @ Regresso a Hurghada

Vídeos

Chapter 1: Scalloped Hammerhead Shark

Chapter 2: Manta Ray

Chapter 3: Oceanic Whitetip Shark

Chapter 4: Green Turtle

Chapter 5: Grey Reef Shark

Chapter 6: Suez Fusilier

Notas Soltas

Plano de Mergulhos

19 de Junho - 01. Ras Torombi - Check Dive - 02. Numidia, Big Bother - Naufrágio

20 de Junho - 03. South Plateau, Big Bother - 04. South, Big Bother - 05. Small Brother

21 de Junho - 06. Small Brother - 07. Small Brother - 08. Small Brother - 09. Small Brother

22 de Junho - 10. Small Brother - 11. Small Brother - 12. South, Big Brother

23 de Junho - 13. North Plateau, Elphinstone - 14. South Plateau, Elphinstone - 15. West, Elphinstone - 16. Abu Dabab - Nocturno

24 de Junho - 17. Ras Torfa - 18. Marsa Shona - 19. Marsa Shona

Vídeo "gentilmente cedido por Ana Margarette"

Why Muslims Fast?

"I'm sure you're wondering why we Muslims fast for a whole month in this heat and long summer days? And probably most answers you get from the net or your Muslim friends are even more confusing, so here are a few simple facts: First of all, fasting is not a Muslim invention. It exists as a spiritual practice in most religions, although in varying forms. Muslims fast during Ramadan, the 9th month of the Muslim lunar calendar. They abstain from all food, drink, sexual activity, bad language, and bad habits during daylight hours, from dawn to sunset, everyday, for an entire month. Since it's based on the lunar calendar, the date changes every year. In my lifetime, I've fasted during all seasons and weathers of the year, hot and cold, and it had a different flavor in each of them. Fasting is not a form of torture though. Those who are too young, too old, weak, sick, pregnant, breastfeeding, menstruating or traveling are exempt from fasting. For believers, it's a manifestation of faith. They show reverence by obeying the God they believe in, to stay away from food, drink, and sex (basic human needs) during daylight hours. In practice, it's a yearly training course in discipline and self-control. Trust me, it takes a lot of will-power not to reach for that ice-cold glass of water on a hot day, and decide to wait over 16 hours to be able to have it! It also tastes a lot better when you finally have it . You learn to appreciate every drop of water. Every grain of food. You learn gratitude! Now multiply that by a billion! Imagine hundreds of millions of people, sitting there staring at food and not touching it until they hear the signal: the call to prayer, only then are they allowed to eat and drink again, together, all over the world. This exercise in delayed gratification changes your life. If you can willingly discipline yourself to abstain from things you love and that are good for you, then you can definitely abstain from things you hate or that are bad for you. This concept looks logical and simple, but most humans struggle with it. They're stuck in toxic relationships, hooked on bad habits, demotivated to improve, and unable to change. Fasting makes you feel empowered and in control of your life again, so that it becomes easier to change as a result. Fasting puts you back at the steering wheel of your emotions. You're no longer a slave to your body and your desires. You learn to control them and not let them control you. You tell them when to eat and when to stop, when to succumb to desire and when to abstain. You're freed from your dependence on coffee, sugars, cigarettes...etc. You control your anger, your fears, your thoughts and emotions, good and bad. It's an effective exercise in will-power. Health-wise, it's a great detox for mind and body, from all the accumulated toxins of the year. When your stomach and digestive system take a break, your mind and your spirit soar. Contrary to what you may believe, you feel and think much clearer and deeper during fasting hours. And it's easier to contemplate, analyze, and find solutions to your pressing dilemmas. Ramadan is also a community activity to strengthen social ties and improve relations in families and among society as a whole. It's a time for connection, group learning, group worship, and mass charity and caring. In the last 10 days of the months, people are encouraged to spend time alone contemplating, worshiping and planning for making changes to one's life. It's like a yearly self-improvement boot camp for more than a billion Muslims worldwide. This year, other faith leaders around the world are planning to fast with Muslims to encourage peace, communication, understanding, and respect for diversity. This is the true spirit of Ramadan. Now, if I were not a Muslim and I read this post, my first logical response will be: "Why aren't Muslims a leading civilization today then?" Actually, they once were, when they really applied these useful principles. Right now, Ramadan is being more and more commercialized by the media and the shopping culture, just like what has happened to Christmas. During Ramadan in recent years, people mostly feast every night, watch TV, shop like crazy, and stay up chatting all night until it's time for the pre-dawn meal. Unfortunately, many preserved the traditions and forgot the lessons".


  • Save the Dugongs

    Save the Dugongs

  • Happy Birthday Max! Since 1926.

    Happy Birthday Max! Since 1926.

  • Sinai - (In)segurança

    Sinai - (In)segurança

  • Mapa da Região com Spots de Mergulho (Port Ghalib fica situado entre Quseir e Marsa Alam)

    Mapa da Região com Spots de Mergulho (Port Ghalib fica situado entre Quseir e Marsa Alam)

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