2013'10 Japão (#25) - Luz de Presença | Oh! Doce Saudade
Fukuoka, Nagasaki, Hiroshima, Miyajima, Ōsaka, Nara, Kyōto, Himeji, Tōkyō

Fukuoka, Nagasaki, Hiroshima, Miyajima, Ōsaka, Nara, Kyōto, Himeji, Tōkyō

5 a 17 de Outubro de 2013

Memórias

Consagrou a história que, no distante ano de 1543, os portugueses foram os primeiros europeus a chegar ao Japão. Aos olhos desses valentes marinheiros a minha viagem aeronáutica de cerca de 30 horas foi um passeio dominical que pela facilidade me embaraça.

Já em terras nipónicas, numa necessária escala nocturna em Tóquio a caminho de Fukuoka, na ilha de Kyūshū, ocupei-me com os primeiros detalhes curiosos: as coloridas e numerosas máquinas vending, a inexistência de transportes públicos ao início da noite e a devota dedicação da equipa de limpeza no cuidado de uns metros quadrados de chão nunca sujo.

Em Fukuoka, muitas vezes referida pelo nome histórico de Hakata, tornou-se evidente o drama linguístico que nunca se converteu num problema. Nunca, numa viagem além fronteiras lusas, falei tão pouco inglês! Mesmo a população adolescente exprime dificuldades profundas que espantosamente são ultrapassadas sem esforço. Cientes das dificuldades de comunicação com estrangeiros é comum existirem instruções fotográficas que saltam para cima do balcão num piscar de olhos. Quando estas cábulas faltam a linguagem gestual assume contornos universais. Noutras vezes um piscar de olhos ou um encolher de ombros são suficientes. Independentemente do caso, um sorriso é um ingrediente constante.

A deambulação pela cidade começou às apalpadelas. As ruas não identificadas e as portas não numeradas impuseram alguma precaução dissipada com um mapa oferecido no posto de turismo. Não foi preciso procurar para que santuários budistas e xintoístas surgissem descontraidamente no caminho. A envolvente verde dos edifícios em madeira é convidativa e os devotos, numa espantosa amplitude etária, concentram-se nos seus desejos e percorrem o templo sem a formalidade de uma cerimónia protocolada.


Nas ruínas do antigo castelo no parque Maizuru, Fukuoka

Nas ruínas do antigo castelo no parque Maizuru, Fukuoka

Ao explorar o templo Sumiyoshi-jinja cruzei-me com os preparativos de um casamento típico. Segui para o parque Maizuru onde das ruínas do antigo castelo se observavam os quatro cantos da cidade e segui para o adjacente parque Ōhori. Demorei-me nos meandros do templo Kushida-jinja, passei pelo Ryuguji deambulei no interior do Tōchōji onde contemplei o enorme buda de madeira e despedi-me da cidade no templo zen Shōfukuji. Acredito que me tenha cruzado com inúmeros turistas mas confesso que não os reconheci. Contei menos de uma dezena de pessoas não asiáticas na cidade.

A sul de Fukuoka visitei Nagasaki eternizada pela trágica história escrita no ano de 1945. A cidade, alvo da segunda e última bomba atómica lançada num cenário de guerra, exibe a dimensão da catástrofe numa perspectiva muito nacional e pacifista.

As feridas dos que sobreviveram estão curadas e as vítimas mortais são recordadas em diversos locais e monumentos com destaque para o Peace Memorial Hall e o Nagasaki Atomic Bomb Museum. A barbaridade imensurável das armas utilizadas é conhecida mas torna-se arrepiante em pormenores dramáticos como a falta de água para apagar os incêndios e aliviar os feridos queimados.


No interior do Peace Memorial Hall, Nagasaki

No interior do Peace Memorial Hall, Nagasaki

A chuva impiedosa reduziu a mobilidade mas não impediu de palmilhar, até ao cair da noite, a zona do hipocentro, o Peace Park e encontrar os santuários de Suwa-jinja, Shōfukuji e ainda o curioso templo de Fukusaiji em forma de tartaruga.

A norte de Kyūshū encontra-se Hiroshima, que partilha com Nagasaki as mágoas da catástrofe nuclear. A cidade foi bombardeada a 6 de Agosto de 1945, 3 dias antes de Nagasaki, estimando-se a perda de cerca de 150.000 vidas humanas.


Junto à A-Bomb Dome, Hiroshima

Junto à A-Bomb Dome, Hiroshima

Na zona do hipocentro foi criado o Peace Memorial Park que é dominado pelos destroços imponentes da A-Bomb Dome. Os locais desenham e redesenham a carvão a cúpula que resistiu quando tudo o resto se desfez. A área é visitada por inúmeros estudantes que depositam incansavelmente origamis em forma de grou num apelo à paz e em homenagem a Sadako Sasaki uma das mais famosas vítimas. Visitei o Peace Memorial Museum, na outra extremidade do parque, antes de uma curta viagem de comboio e barco até à ilha de Miyajima que é património mundial da humanidade.

O santuário Itsukushima-jinja encontra-se no mar, pelo menos durante a maré-cheia, e o seu pórtico, correctamente designado por torii, é uma imagem que reflecte a serenidade da ilha. Os únicos apontamentos de delinquência prendem-se com os veados que habitam a ilha fiéis a um estilo de vida rudimentar: roubar para comer. Sem dramas, os animais movem-se e interagem harmoniosamente com os visitantes. O espaço não sendo imenso está repleto de cantos e recantos que convidam à descoberta como o templo Daishō-in.

De comboio apontei novamente para norte e pernoitei em Ōsaka que abriu as portas de uma atmosfera intensamente urbana e comercial. A primeira impressão do bairro que me acolheu, junto à estação de comboios de Shin-Ōsaka, indiciava a prestação de serviços para adultos em prédios com entradas pouco familiares.

Na zona de Minami, entre Namba e Shinsaibashi, a opulência do consumismo é admirável. Avenidas pedonais infinitas são recheadas por uma multidão compacta como se no mundo não existisse outro paraíso. Parece um formigueiro gigante, um labirinto de néons que se estende na horizontal e na vertical. Das lojas fogem altos decibéis e pregões que em japonês prometem, de certeza, o bom e o barato.


No topo do Umeda Sky Building, Ōsaka

No topo do Umeda Sky Building, Ōsaka

Subi os 173 metros do complexo Umeda Sky Building num elevador panorâmico que culminou nos últimos andares numa escada rolante entre as duas torres até ao Floating Garden Observatory. No topo turistas e casais enamorados contemplavam as luzes da cidade que se perdiam no horizonte. A imensidão do mundo citadino é redutora para a dimensão do homem vulgar mas como isso não é novidade continua-se com um sorriso convicto.

A cidade de Nara foi a primeira capital permanente do Japão e é um centro cultural e religioso com inúmeras influências chinesas. É igualmente povoada por venerados veados que integram o parque Nara Kōen e que acompanham os visitantes na expectativa de ofertar alimentares.


Numa das entradas do tempo Kōfukuji, Nara

Numa das entradas do tempo Kōfukuji, Nara

Parei no templo Kōfukuji e continuei para o santuário Tōdaiji que é a jóia da coroa. É impossível não destacar o pórtico Nandai Mon e o Daibutsuden, o maior edifício em madeira do mundo, que aloja um Buda gigante em bronze e ouro. A imponência dos edifícios ganha particular interesse face aos materiais utilizados. Na outra ponta do parque está o santuário Kasuga Taisha que é rodeado por centenas de lanternas em pedra que criam um ambiente peculiar. Em determinadas ocasiões as lanternas são iluminadas com fogo mas eu não tive essa sorte...

Kyōto é tão efusivamente recomendada que temi frustrar as expectativas. Os adjectivos associados à cidade não escasseiam e se evidências isentas fossem precisas seria possível enumerar os 17 locais elevados a Património Mundial da Humanidade.

Felizmente fui imediatamente conquistado na Bamboo Grove, na área de Arashiyama. A densidade e a altura dos bambus desvendam um mundo mágico quase hipnotizador. As canas trepam aos céus e criam um microclima de isolamento apenas travado pelos turistas que não cessam e que recordam que a floresta não é infinita. A proximidade dos templos Tenryūji e do Nonomiya-jinja é um convite irrecusável a um instante de recolhimento com os pés bem assentos na terra. Sozinho entre a multidão.


Na impressionante Bamboo Grove, Kyōto

Na impressionante Bamboo Grove, Kyōto

No centro da cidade caminhei pelo castelo Nijō-jō, cercado por um fosso, e percorri o Kyōto Gyoen, o parque do Palácio Imperial. Segui pela Teramachi-dōri, uma rua pedonal coberta, até chegar ao mercado alimentar da Nishiki-dōri repleto de bancadas indecifráveis.

Junto ao rio explorei a socialmente incorrecta rua de Pontochō que explica o seu nome através da influência portuguesa (“ponto” de “ponte”) e na outra margem procurei, quase em vão, gueixas no bairro de Gion. O dia terminou de noite às portas do templo Sanjūsangendō que fechou antes de me deixar entrar.

A despedida de Kyōto e a necessidade de alojamento conduziram-me a Himeji. A principal atracção da cidade é o castelo Himeji-jō aclamado como um dos mais bonitos de todo o Japão e parcialmente encerrado para manutenção até 2015... Foram horas calmas em ritmo de descanso!


Ao lado da mascote de Himeji

Ao lado da mascote de Himeji

O Monte Fuji é um dos maiores ícones japoneses e os seus 3.776 metros são alvo de admiração e peregrinação. Apesar de se situar nos arredores de Tóquio a viagem não é rápida como se desejava. Para quem não fantasia trepar ao cume, que é desaconselhado de Setembro a Junho, a escolha natural são os lagos que rodeiam a montanha e oferecem boas panorâmicas. A aproximação à cidade de Kawaguchiko, e ao lago com o mesmo nome, alimentou o receio de não conseguir ver o cume do Fuji-san. O céu nublado, que impedia a visão idílica, não me inibiu de subir ao vizinho monte Tenjō-zan de teleférico que sem surpresas não melhorou as perspectivas. As únicas imagens do Fuji-san obtidas já se encontravam impressas em postais.

Os primeiros passos em Tóquio foram dados à noite no bairro de Shinjuku onde subi ao 51º andar da Shinjuku Sumitomo Building, para contemplar a infinita cidade a 200 metros de altura, e deambulei sem rota definida pela área repleta de grandes lojas até ao curioso edifício Mode Gakuen Cocoon Tower. Também dei um passeio nocturno pela zona de Marunouchi, em redor da Estação de Tóquio, onde me aventurei no interior do edifício Tokyo International Forum. Segui para o selecto bairro de Ginza, que promove as importadas tendências ocidentais, e entretive-me com as cativantes luzes publicitárias.

A norte da cidade visitei o “vintage” bairro de Yanaka onde sobrevivem pequenas casas de madeira e templos numa atmosfera quase rural. Visitei os modestos santuários de Gyokurinji, Enjuji e Zuirinji. À chuva entrei no parque Ueno Kōen e abriguei-me no templo Bentendō antes de caminhar para o principal templo budista da cidade, Sensōji, em Asakusa. O espaço enorme é preenchido por uma massa humana de turistas e devotos que não se demovem com a chuva. A vertente comercial convive em parceria com os propósitos religiosos na aproximação ao templo na Nakamise-dōri.

O tecnológico bairro Akihabara publicita-se pelos preços baixos mas a sua maior virtude está na gigantesca a oferta. As lojas electrónicas, que ocupam uns pisos por cima dos outros, alimentam o voraz apetite consumista da nação. O bairro é igualmente frequentado por fãs de anime e manga, designados por otakus, que apesar de socialmente aceites sem estigma levantam o véu de um submundo nas caves das livrarias e nos “maid cafés”. Nem tudo o que parece inocente será.


À noite em Tóquio

À noite em Tóquio

O último dia em Tóquio começou com alertas de tufão e restrições nos serviços e nos transportes. Lentamente os ventos e as preocupações dissiparam-se e pude visitar os jardins do Palácio Imperial, abertos ao público em geral, que são tudo menos impressionantes ou interessantes. Vagueei ainda pelo templo budista de Zōjōji, com as suas coloridas estatuetas de crianças, pela Tokyo Tower e pelos bairros de Roppongi e Shibuya.

Independentemente da duração da viagem nunca será possível visitar e conhecer tudo. A velocidade dos Shinkansen nos carris (que também se atrasam) ajudaram mas reconheço que Ōsaka, Kyōto e Tóquio justificavam estadias mais demoradas e descontraídas.

O Japão é um amor fácil e tem um charme que nasce das diferenças nos detalhes do quotidiano. Soubesse eu o mínimo da língua japonesa e a minha predisposição para revisitar o país do sol nascente seria confundível com o delírio de assentar arraiais. A certeza de que não existem mundos perfeitos não inibe a possibilidade de mundos quase perfeitos!


Fotografias

  • Um dos edifícios do templo Sumiyoshi-jinja @ Fukuoka

  • O calçado fica à porta dos edifícios do santuário @ Fukuoka

  • Em oração no santuário Sumiyoshi-jinja @ Fukuoka

  • Noivos nos trajes típicos @ Fukuoka

  • A cidade vista das ruínas do castelo no parque Maizuru @ Fukuoka

  • O lago do parque Ōhori @ Fukuoka

  • Monumento que recorda o local do hipocentro da bomba atómica @ Nagasaki

  • O templo de Suwa-jinja alcançado debaixo de chuva intensa @ Nagasaki

  • A devoção individual é expressa sem cerimónias elaboradas @ Nagasaki

  • A cidade ao anoitecer @ Nagasaki

  • Os Shinkansen são conhecidos como "comboios bala"! @ Estação de Comboios

  • Os destroços da A-Bomb Dome @ Hiroshima

  • Milhares e milhares de origamis em forma de grou são dobrados como um símbolo de paz @ Hiroshima

  • Imensos jovens param em homenagem à menina Sadako Sasaki @ Hiroshima

  • Um dos muitos veados da ilha @ Miyajima

  • O torii do santuário Itsukushima-jinja @ Miyajima

  • O santuário Itsukushima-jinja e no alto na montanha o Umi-Mori Art Museum @ Miyajima

  • A multidão era infinita @ Ōsaka

  • As luzes da publicidade @ Ōsaka

  • Uma estreita rua secundária @ Ōsaka

  • A cidade à noite do topo do Umeda Sky Building @ Ōsaka

  • Perspectiva da pequena cidade @ Nara

  • O monumental Daibutsuden do santuário Tōdaiji @ Nara

  • O buda gigante no interior do Daibutsuden @ Nara

  • Pormenor das lanternas no santuário Kasuga Taisha @ Nara

  • Uma criança numa banca do templo Nonomiya-jinja @ Kyōto

  • Uma perspectiva das canas que trepam ao céu @ Kyōto

  • A fabulosa Bamboo Grove em Arashiyama @ Kyōto

  • O desinteressante parque do Palácio Imperial Kyōto Gyoen @ Kyōto

  • No mercado alimentar da Nishiki-dōri @ Kyōto

  • As prometidas gueixas no bairro de Gion @ Kyōto

  • Uma das poucas zonas do castelo que não se encontra coberta para manutenção @ Himeji

  • A zona norte da cidade @ Himeji

  • À noite com a Mode Gakuen Cocoon Tower ao fundo @ Tōkyō

  • A cidade vista do Shinjuku Sumitomo Building @ Tōkyō

  • A publicidade na fachada dos edifícios @ Tōkyō

  • O curioso Mode Gakuen Cocoon Tower @ Tōkyō

  • Uma estação de comboios depois da hora de ponta @ Tōkyō

  • O lago Kawaguchiko visto do monte Tenjō-zan @ Tōkyō

  • No topo do monte Tenjō-zan com o olhar no horizonte nublado à procura do Monte Fuji @ Tōkyō

  • As mascotes locais são as companheiras de fotografia ideais! @ Tōkyō

  • Entrada para uma carruagem do metro onde não são autorizados homens @ Tōkyō

  • No bairro de Yanaka ainda é possível encontrar habitações em madeira @ Tōkyō

  • Vitrina com apresentação dos pratos muito útil para quem não domina o japonês! @ Tōkyō

  • O tecnológico bairro Akihabara @ Tōkyō

  • Os jardins junto ao Palácio Imperial @ Tōkyō

  • No jardim interior do Palácio Imperial @ Tōkyō

Notas Soltas

Chegada dos Portugueses ao Japão (infopedia.pt)

Os Portugueses chegaram ao Japão em 1543. O Japão era conhecido desde o tempo de Marco Polo, que lhe chamou Cipango. Mas foram efetivamente os portugueses os primeiros europeus a chegar ao Japão. Põe-se ainda hoje a questão de saber quem foram esses primeiros portugueses: se Fernão Mendes Pinto (autor de Peregrinação) fazia parte deles, ou se foram António Peixoto, António da Mota e Francisco Zeimoto. O que é certo é que comerciantes portugueses desde logo começaram a negociar com o Japão. A partir de 1550, o comércio com o Japão passou a ser um monopólio, sob chefia de um capitão-mor. Como em 1557 os portugueses se estabeleceram em Macau, na China, isso vai ajudar o comércio com o Japão, principalmente de prata. Os missionários desde o início vão entrar também no Japão. É em 1549 que chegam os primeiros, entre eles São Francisco Xavier, que progressivamente vão penetrando pelo Japão, chegando a Nagasáqui em 1569, que foi doada aos Jesuítas em 1580. E entre 1582 e 1590 realiza-se a primeira embaixada do Japão à Europa. Em 1587 dá-se uma reviravolta na posição de proteção aos missionários, sendo os Jesuítas expulsos. O contacto entre as duas civilizações deixou marcas duradouras. A língua portuguesa foi, no início, o meio de comunicação dos estrangeiros com o Japão. Ainda hoje há inúmeros vocábulos de origem portuguesa. Foi com os portugueses que entrou no Japão a imprensa de tipos metálicos, sendo um missionário português quem escreveu a primeira gramática da língua japonesa. Foram também os portugueses que introduziram no Japão as armas de fogo, além de novos conhecimentos nos domínios da medicina, astronomia, matemática, além de ensinarem a arte da navegação dos portugueses.


Exemplos de Palavras Japonesas com Origem Portuguesa (wikipedia.org)

arigatō - obrigado; bōro - bolo; botan - botão; furasuko - frasco; jōro - jarro; kappa - capa; koppu - copo; pan - pão; sabato - sábado.


Atomic Bombings of Hiroshima and Nagasaki (wikipedia.org)

The atomic bombings of the cities of Hiroshima and Nagasaki in Japan were conducted by the United States during the final stages of World War II in 1945. The two events are the only use of nuclear weapons in war to date. Following a firebombing campaign that destroyed many Japanese cities, the Allies prepared for a costly invasion of Japan. The war in Europe ended when Nazi Germany signed its instrument of surrender on May 8, 1945, but the Pacific War continued. Together with the United Kingdom and the Republic of China, the United States called on Japan to surrender in the Potsdam Declaration on July 26, 1945, threatening "prompt and utter destruction". The Japanese government ignored this ultimatum. By August 1945, the Allied Manhattan Project had developed and tested atomic bombs, and the United States Army Air Forces 509th Composite Group was equipped with Silverplate Boeing B-29 Superfortress that could deliver them from Tinian in the Mariana Islands. With no response from the Japanese, the bombs were dropped with the approval of President Harry S. Truman. A Little Boy atomic bomb was dropped on the city of Hiroshima on August 6, 1945, followed by a Fat Man bomb on the city of Nagasaki on August 9. Within the first two to four months of the bombings, the acute effects killed 90,000-166,000 people in Hiroshima and 60,000-80,000 in Nagasaki, with roughly half of the deaths in each city occurring on the first day. During the following months, large numbers died from the effect of burns, radiation sickness, and other injuries, compounded by illness. In both cities, most of the dead were civilians, although Hiroshima had a sizeable garrison. On August 15, six days after the bombing of Nagasaki, and seven days after the Soviet Union's declaration of war, Japan announced its surrender to the Allies, signing the Instrument of Surrender on September 2, officially ending World War II. The bombings' role in Japan's surrender and their ethical justification are still debated.


Leaflets Dropping (wikipedia.org)

For several months, the US had dropped more than 63 million leaflets across Japan, warning civilians of air raids. Many Japanese cities suffered terrible damage from aerial bombings, some even 97% destruction. LeMay thought that this would increase the psychological impact of bombing, and reduce the stigma of area bombing cities. Even with the warnings, Japanese opposition remained ineffective. In general, the Japanese regarded the leaflet messages as truthful, but anyone who was caught in possession of one was arrested. Leaflet texts were prepared by recent Japanese prisoners of war because they were thought to be the best choice "to appeal to their compatriots".

Leaflet

Leaflet

Atomic Bomb Development (wikipedia.org)

Working in collaboration with the United Kingdom and Canada, with their respective projects Tube Alloys and Chalk River Laboratories, the Manhattan Project, under the direction of Major General Leslie R. Groves, Jr., of the U.S. Army Corps of Engineers, designed and built the first atomic bombs. Preliminary research began in 1939, originally in fear that the German atomic bomb project would develop atomic weapons first. In May 1945, the defeat of Germany caused the focus to turn to use against Japan. Two types of bombs were eventually devised by scientists and technicians at the Los Alamos under American physicist J. Robert Oppenheimer. The Hiroshima bomb, known as a Little Boy, was a gun-type fission weapon made with uranium-235, a rare isotope of uranium extracted in giant factories in Oak Ridge, Tennessee. The other was an implosion-type nuclear weapon using plutonium-239, a synthetic element created in nuclear reactors at Hanford, Washington. A test implosion weapon, the gadget, was detonated at Trinity Site, on July 16, 1945, near Alamogordo, New Mexico. The Nagasaki bomb, a Fat Man, was a similar implosion device. There was a Japanese nuclear weapon program, but it lacked the human, mineral and financial resources of the Manhattan Project, and never made much progress towards developing an atomic bomb.


Hiroshima Bombing (wikipedia.org)

Hiroshima was the primary target of the first nuclear bombing mission on 6 August, with Kokura and Nagasaki as alternative targets. The 393d Bombardment Squadron B-29 Enola Gay, piloted by Tibbets, took off from North Field, about six hours' flight time from Japan. The Enola Gay (named after Tibbets' mother) was accompanied by two other B-29s. The Great Artiste, commanded by Major Charles Sweeney, carried instrumentation, and a then-nameless aircraft later called Necessary Evil, commanded by Captain George Marquardt, served as the photography aircraft. After leaving Tinian the aircraft made their way separately to Iwo Jima to rendezvous at 2,440 meters (8,010 ft) and set course for Japan. The aircraft arrived over the target in clear visibility at 9,855 meters (32,333 ft). Parsons, who was in command of the mission, armed the bomb during the flight to minimize the risks during takeoff. His assistant, Second Lieutenant Morris R. Jeppson, removed the safety devices 30 minutes before reaching the target area. Japanese early warning radar detected the approach of some American aircraft headed for the southern part of Japan. Radar detected 65 bombers headed for Saga, 102 bound for Maebashi, 261 en route to Nishinomiya, 111 headed for Ube and 66 bound for Imabari. An alert was given and radio broadcasting stopped in many cities, among them Hiroshima. The all-clear was sounded in Hiroshima at 12:05. About an hour before the bombing, the air raid alert was sounded again, as Straight Flush (weather reconnaissance aircraft) flew over the city. It broadcast a short message which was picked up by Enola Gay. It read: "Cloud cover less than 3/10th at all altitudes. Advice: bomb primary". The all-clear was sounded over Hiroshima again at 07:09. At 08:09 Colonel Paul W. Tibbets started his bomb run and handed control over to his bombardier, Major Thomas Ferebee. The release at 08:15 (Hiroshima time) went as planned, and the Little Boy containing about 64 kg (140 lb) of uranium-235, took 43 seconds to fall from the aircraft flying at 31,060 feet (9,470 m) to the predetermined detonation height about 1,968 feet (600 m) above the city. Enola Gay traveled 11.5 mi (18.5 km) before it felt the shock waves from the blast. Due to crosswind, the bomb missed the aiming point, the Aioi Bridge, by approximately 800 ft (240 m) and detonated directly over Shima Surgical Clinic. It created a blast equivalent to 16 kilotons of TNT (67 TJ). The weapon was considered very inefficient, with only 1.7% of its material fissioning. The radius of total destruction was about one mile (1.6 km), with resulting fires across 4.4 square miles (11 km2).


President Harry S. Truman Statement (wikipedia.org)

After the Hiroshima bombing, Truman issued a statement announcing the use of the new weapon. He stated, "We may be grateful to Providence" that the German atomic bomb project had failed, and that the United States and its allies had "spent two billion dollars on the greatest scientific gamble in history—and won." Truman then warned Japan: "If they do not now accept our terms, they may expect a rain of ruin from the air, the like of which has never been seen on this earth. Behind this air attack will follow sea and land forces in such numbers and power as they have not yet seen and with the fighting skill of which they are already well aware".


Nagasaki Bombing (wikipedia.org)

Scheduled for 11 August against Kokura, the raid was moved earlier by two days to avoid a five-day period of bad weather forecast to begin on 10 August. At 03:49 on the morning of August 9, 1945, Bockscar, flown by Sweeney's crew, carried Fat Man, with Kokura as the primary target and Nagasaki the secondary target. The mission plan for the second attack was nearly identical to that of the Hiroshima mission, with two B-29s flying an hour ahead as weather scouts and two additional B-29s in Sweeney's flight for instrumentation and photographic support of the mission. Sweeney took off with his weapon already armed but with the electrical safety plugs still engaged. During pre-flight inspection of Bockscar, the flight engineer notified Sweeney that an inoperative fuel transfer pump made it impossible to use 640 US gallons (2,400 l; 530 imp gal) of fuel carried in a reserve tank. This fuel would still have to be carried all the way to Japan and back, consuming still more fuel. Replacing the pump would take hours; moving the Fat Man to another aircraft might take just as long and was dangerous as well, as the bomb was live. Tibbets and Sweeney therefore elected to have Bockscar continue the mission. Observers aboard the weather planes reported both targets clear. After exceeding the original departure time limit by a half hour, Bockscar, accompanied by The Great Artiste, the support B-29 flown by Captain Frederick C. Bock, proceeded to Kokura, thirty minutes away. The delay had resulted in clouds and drifting smoke from fires started by a major firebombing raid by 224 B-29s on nearby Yawata the previous day covering 70% of the area over Kokura, obscuring the aiming point. Three bomb runs were made over the next 50 minutes, burning fuel and exposing the aircraft repeatedly to the heavy defenses of Yawata, but the bombardier was unable to drop visually. By the time of the third bomb run, Japanese antiaircraft fire was getting close, and Second Lieutenant Jacob Beser, who was monitoring Japanese communications, reported activity on the Japanese fighter direction radio bands. They headed for their secondary target, Nagasaki. Fuel consumption calculations made en route indicated that Bockscar had insufficient fuel to reach Iwo Jima and would be forced to divert to Okinawa. After initially deciding that if Nagasaki were obscured on their arrival the crew would carry the bomb to Okinawa and dispose of it in the ocean if necessary, Ashworth ruled that a radar approach would be used if the target was obscured. At about 07:50 Japanese time, an air raid alert was sounded in Nagasaki, but the "all clear" signal was given at 08:30. When only two B-29 Superfortresses were sighted at 10:53, the Japanese apparently assumed that the planes were only on reconnaissance and no further alarm was given. A few minutes later at 11:00, The Great Artiste dropped instruments attached to three parachutes. These instruments also contained an unsigned letter to Professor Ryokichi Sagane, a nuclear physicist at the University of Tokyo who studied with three of the scientists responsible for the atomic bomb at the University of California, Berkeley, urging him to tell the public about the danger involved with these weapons of mass destruction. The messages were found by military authorities but not turned over to Sagane until a month later. At 11:01, a last minute break in the clouds over Nagasaki allowed Bockscar's bombardier, Captain Kermit Beahan, to visually sight the target as ordered. The Fat Man weapon, containing a core of about 6.4 kg (14 lb) of plutonium, was dropped over the city's industrial valley. t exploded 43 seconds later at 469 m (1,539 ft) above the ground halfway between the Mitsubishi Steel and Arms Works in the south and the Mitsubishi-Urakami Ordnance Works (Torpedo Works) in the north. This was nearly 3 km (1.9 mi) northwest of the planned hypocenter; the blast was confined to the Urakami Valley and a major portion of the city was protected by the intervening hills. The resulting explosion had a blast yield equivalent to 21 kt (88 TJ). The explosion generated heat estimated at 3,900 °C (7,050 °F) and winds that were estimated at 1,005 km/h (624 mph).


Surrender of Japan (wikipedia.org)

Until 9 August, the war council had still insisted on its four conditions for surrender. On that day Hirohito ordered Kido to "quickly control the situation... because the Soviet Union has declared war against us." He then held an Imperial conference during which he authorized minister Tōgō to notify the Allies that Japan would accept their terms on one condition, that the declaration "does not compromise any demand which prejudices the prerogatives of His Majesty as a Sovereign ruler". On 12 August, the Emperor informed the imperial family of his decision to surrender. As the Allied terms seemed to leave intact the principle of the preservation of the Throne, Hirohito recorded on 14 August his capitulation announcement which was broadcast to the Japanese nation the next day despite a short rebellion by militarists opposed to the surrender. In his declaration, Hirohito referred to the atomic bombings: "Moreover, the enemy now possesses a new and terrible weapon with the power to destroy many innocent lives and do incalculable damage. Should we continue to fight, not only would it result in an ultimate collapse and obliteration of the Japanese nation, but also it would lead to the total extinction of human civilisation. Such being the case, how are We to save the millions of Our subjects, or to atone Ourselves before the hallowed spirits of Our Imperial Ancestors? This is the reason why We have ordered the acceptance of the provisions of the Joint Declaration of the Powers."

Mapa dos Bombardeamentos

Mapa dos Bombardeamentos

Religion in Japan (wikipedia.org)

Most Japanese do not exclusively identify themselves as adherents of a single religion; rather, they incorporate elements of various religions in a syncretic fashion known as Shinbutsu shūgō. Shinbutsu Shūgō officially ended with the Shinto and Buddhism Separation Order of 1886, but continues in practice. Shinto and Japanese Buddhism are therefore best understood not as two completely separate and competing faiths, but rather as a single, rather complex religious system. Japan enjoys full religious freedom and minority religions such as Christianity, Islam, Hinduism and Sikhism are practiced. Figures that state 84% to 96% of Japanese adhere to Shinto and Buddhism are not based on self-identification but come primarily from birth records, following a longstanding practice of officially associating a family line with a local Buddhist temple or Shinto shrine. About 70% of Japanese profess no religious membership, according to Johnstone (1993:323), 84% of the Japanese claim no personal religion. In census questionnaires, less than 15% reported any formal religious affiliation by 2000. And according to Demerath (2001:138), 65% do not believe in God, and 55% do not believe in Buddha. According to Edwin Reischauer, and Marius Jansen, some 70-80% of the Japanese regularly tell pollsters they do not consider themselves believers in any religion.


Ema (wikipedia.org)

Ema are small wooden plaques on which Shinto worshippers write their prayers or wishes. The ema are then left hanging up at the shrine, where the kami (spirits or gods) receive them. They bear various pictures, often of animals or other Shinto imagery, and many have the word gan'i, meaning "wish", written along the side. In ancient times people would donate horses to the shrines for good favor, over time this was transferred to a wooden plaque with a picture of a horse, and later still to the various wooden plaques sold today for the same purpose. Ema are sold for various wishes. Common reasons for buying a plaque are for success in work or on exams, marital bliss, to have children, and health. Some shrines specialize in certain types of these plaques, and the larger shrines may offer more than one. Sales of ema help support the shrine financially.


Manga (wikipedia.org)

Manga are comics created in Japan, or by Japanese creators in the Japanese language, conforming to a style developed in Japan in the late 19th century. They have a long and complex pre-history in earlier Japanese art. In Japan, people of all ages read manga. The medium includes works in a broad range of genres: action-adventure, romance, sports and games, historical drama, comedy, science fiction and fantasy, mystery, suspense, detective, horror, sexuality, and business/commerce, among others. Since the 1950s, manga has steadily become a major part of the Japanese publishing industry, representing a ¥406 billion market in Japan in 2007 (approximately $3.6 billion) and ¥420 billion ($5.5 billion) in 2009. Manga have also gained a significant worldwide audience. In Japan, manga are usually serialized in large manga magazines, often containing many stories, each presented in a single episode to be continued in the next issue. If the series is successful, collected chapters may be republished in tankōbon volumes, frequently but not exclusively, paperback books. A manga artist (mangaka in Japanese) typically works with a few assistants in a small studio and is associated with a creative editor from a commercial publishing company. If a manga series is popular enough, it may be animated after or even during its run. The term manga is a Japanese word referring both to comics and cartooning. "Manga" as a term used outside Japan refers specifically to comics originally published in Japan.


Anime (wikipedia.org)

Anime are Japanese animated productions usually featuring hand-drawn or computer animation. The word is the abbreviated pronunciation of "animation" in Japanese, where this term references all animation,[1] but in other languages, the term is defined as animation from Japan or as a Japanese-disseminated animation style often characterized by colorful graphics, vibrant characters and fantastic themes. The earliest commercial Japanese animation dates to 1917, and production of anime works in Japan has since continued to increase steadily. The characteristic anime art style emerged in the 1960s with the works of Osamu Tezuka and spread internationally in the late twentieth century, developing a large domestic and international audience. Anime is distributed theatrically, by television broadcasts, directly to home media, and over the internet and is classified into numerous genres targeting diverse broad and niche audiences.


Pachinko (wikipedia.org)

Pachinko is a mechanical game originating in Japan and is used as both a form of recreational arcade game and much more frequently as a gambling device, filling a Japanese gambling niche comparable to that of the slot machine in Western gaming. A pachinko machine resembles a vertical pinball machine, but has no flippers and uses a large number of small balls. The player fires balls into the machine, which then cascade down through a dense forest of pins. If the balls go into certain locations, they may be captured and sequences of events may be triggered that result in more balls being released. The object of the game is to capture as many balls as possible. These balls can then be exchanged for prizes. Pachinko machines were originally strictly mechanical, but modern ones have incorporated extensive electronics, becoming similar to video slot machines. Pachinko parlors are widespread in Japan, and they usually also feature a number of slot machines (called pachislo or pachislots); hence, these venues operate and look similar to casinos. Modern pachinko machines are highly customizable, keeping enthusiasts continuously entertained. Gambling for cash is illegal in Japan. Balls won cannot be exchanged directly for money in the parlor. The balls are exchanged for tokens or prizes, which are then taken outside and exchanged for cash at a place nominally separate from the parlor.

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